sábado, 22 de abril de 2017

Blade Runner - Cult da Ficção Científica (+Blade Runner 2049)

Filmes Crítica
Por Fábio Alves



No início dos anos 80 o que se via no cinema era um amadurecimento do gênero Sci-Fi renovado pelo estouro de Star Wars. Desde quando Stanley Kubrick lançou nos anos 60 sua obra prima 2001: Uma odisséia no espaço que o cinema esperava uma retomada consistente e nos anos 80 que se propagou como estilo de filme preferido de muitos. Foram lançadas diversas obras pegando o final dos anos 70 como Alien: O oitavo passageiro que mesclava o terror assim como A Mosca e O Enigma do outro mundo. E o Sci-Fi se firmou na sua mais pura essência, futurista e utópico, como a adaptação do clássico literário "Duna" até a competente série de filmes para o cinema do intocável Star Trek. Star Wars por sua fez se consolidou como clássico popular e rentável concluíndo sua trilogia original em 80 e 83. Mas um filme foi lançado em 82 no vácuo dessas grandes produções e infelizmente foi ignorado em seu lançamento ganhando status de cult muito anos depois e ganhando inúmeras versões posteriores para tentar recuperar o que não foi ganho na época. Blade Runner  - O caçador de androides (na versão brasileira) é um clássico da ficção científica que se fecha em seu próprio mundo com características de um futuro distópico e decadente da terra.







Dirigido por Ridley Scott (que já tinha dirigido o clássico Alien de 1977), estrelado por Harrison Ford (em seu auge), Rutger Hauer, Sean Young, e a novata Daryl Hannah, trazia uma história levemente baseada no conto de Philip K. Dick. "Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?" em que apresentava um mundo futurista de 2019 numa Los Angeles poluída e super populosa, em que a exploração espacial é uma realidade corriqueira e há propagandas de emigração para essas colônias espaciais para aliviar a superpopulação.





Hoje esse filme é tão referenciado em decorrência de assuntos tão presentes em nossos dias como a globalização, principalmente com a disseminação de etnias, culturas, credos em um mesmo lugar, clonagem ou "replicagem" diante de extinção de animais, e outros exemplos de uma sociedade decadente em que há um colapso de valores morais, materiais e até mesmo éticos como os experimentos e criação das grandes corporações.



Essas corporações são as grandes responsáveis por criarem seres similares aos humanos, desenvolvidos através de engenheiros genéticos gerando os "replicantes", androides que fazem serviços pesados nas colônias e também na terra, dotados de consciência, porém com pouco tempo de vida (em torno de 4 anos). E não demora muito para que um grupo dissidente volte para terra a procura de seu criador para que ele lhes dê mais tempo de vida. A partir daí há inúmeros temas filosóficos sobre a vida e suas realizações apresentados de forma melancólica e deprimente, ainda mais inseridos num ambiente nocivo que há uma constante chuva ácida e a atmosfera esta sempre bloqueada parecendo que é sempre noite.




O "Blade Runner" Rick Deckard é esse agente responsável em caçar esse grupo dissidente e violento, (papel de Harrison Ford) eliminando esses elementos e protegendo principalmente a empresa responsável (Tyrell Corporation). (SPOILERS) Curiosamente nessa empresa ele encontra uma mulher replicante que será a responsável por sua mudança de perspectiva de vida e o motivo da grande dúvida que persiste por todo o filme para os mais atentos: aparentemente ele mesmo seria um replicante.





Clássico absoluto do cinema, foi selecionado para a preservação no "National Film Registry" da Biblioteca do Congresso Americano como sendo "culturalmente, historicamente e esteticamente significante" e atualmente é considerado um dos melhores filmes já feitos, sendo elogiado por seu desenho de produção, mostrando um futuro retrofit, permanecendo como um dos melhores exemplos do gênero neo noir. Trilha sonora de Vangelis, uma revolução pra época. Enigmática e perfeita para o filme.






Em outubro de 2017 será lançado Blade Runner 2049, (teaser abaixo) dando continuidade a esse filme de 82 e trazendo novamente Harrison Ford no papel de Rick Deckard mas estrelando também Ryan Gosling. Dirigido pelo excelente Denis Villeneuve (do recente A Chegada) a sinopse diz que " Trinta anos após os eventos do primeiro filme, um novo Blade Runner, o policial K (Ryan Gosling), do Departamento de Polícia de Los Angeles, desenterra um segredo que tem o potencial de mergulhar o que sobrou da sociedade em caos. A descoberta de K o leva a uma jornada em busca de Rick Deckard (Harrison Ford), um antigo Blade Runner da LAPD que está desaparecido há três décadas."






Assim os fãs esperam que mantenham intocada a mitologia do filme original e que venha explorar uma nova história nesse universo mas sem prejudicar ou alterar algo.













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